Sempre ia atrás dela. Mas a resposta era
sempre a mesma. “Não dá mais! Está tudo acabado.” – Fazia as mesmas promessas e
de nada adiantou. Até que um dia ela disse: “Será que eu tenho que me mudar
para a lua para você largar do meu pé? Olha João Carlos, vá embora, me esqueça.
Já tenho outra pessoa.” – Não acreditei lógico, Maria José, uma mulher que me
ama? Que se dedica tanto a mim? Jamais ela me trocaria. Nesse momento tive que
agir. Senti-me lá embaixo. Mesmo não acreditando, fui correndo para a igreja.
Não bebi mais. Uma semana, duas, um mês, dois, três meses. Firme na igreja
cantando, pregando. Estava uma benção. Até que um dia a encontrei. Fiquei um
tempo sem procurá-la, pois pensava: que sabe se eu ficar um pouco longe ela
sinta saudades e mude de idéia. Mas, infelizmente, não foi bem assim.
O dia que a encontrei, percebi que ela
estava diferente. Mais gorda, pele rosada. Isso gerou em mim um grande
sentimento de perda. A minha vez de sofrer, pois até então era ela quem sofria.
Disse a ela: - Você está grávida?
Ela disse: - Não!
Eu disse: - Você está grávida sim, e
este filho não é meu. Você conseguiu. Não queria acreditar, mas agora sei,
entre nós está tudo acabado.
Porém, antes dela ter o filho, ainda
tentei voltar, estava trabalhando, já tinha comprado alguns móveis e morava só
em um barraco de um de meus primos. Vendi tudo. Saí do emprego, fomos para o
Piauí, mas infelizmente não era mais a mesma coisa. No dia de dar a luz, não
suportei, enchi a cara e voltei para Brasília.
Fui direto para o boteco, essa se tornou
a pior fase da minha vida. Transformei-me em um mendigo. Dormia nas calçadas,
nas paradas de ônibus, nos matos, em prédios construção. Joguei-me na sarjeta.
Não queria aceitar aquela triste realidade. Minha vida, a partir daquele
momento, transformou-se um verdadeiro caos. Embora, muitas pessoas quisessem me
ajudar, infelizmente não conseguiam. A dor era muito forte, não conseguia
voltar atrás, assim pensava. Cerca de dois anos se passaram.
Com muitos conselhos, insistência dos
familiares e amigos, resolvi então, voltar para a igreja. Os dias foram
passando, e assim como das outras vezes, as coisas começavam a mudar. Encontrei
outra pessoa. Resolvi então construir outra família, pois não havia mais
retorno. Igreja, oração, estava super dedicado, porém não conseguia esquecer
nem os meus filhos, nem ela. Isso me entristecia.
Um dia, começou tudo de novo. Bebi
demais. Fiquei totalmente embriagado e terminei separando. Fiquei ainda uns
cinco anos com essa mulher. Não tivemos filhos por ela ser ligada. Mais
sofrimento. Cigarro, cachaça, noites em claro, prisão por vadiagem e tudo que
não presta. Isso durou por muito tempo.
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