domingo, 4 de setembro de 2011

Perdendo a família


Sempre ia atrás dela. Mas a resposta era sempre a mesma. “Não dá mais! Está tudo acabado.” – Fazia as mesmas promessas e de nada adiantou. Até que um dia ela disse: “Será que eu tenho que me mudar para a lua para você largar do meu pé? Olha João Carlos, vá embora, me esqueça. Já tenho outra pessoa.” – Não acreditei lógico, Maria José, uma mulher que me ama? Que se dedica tanto a mim? Jamais ela me trocaria. Nesse momento tive que agir. Senti-me lá embaixo. Mesmo não acreditando, fui correndo para a igreja. Não bebi mais. Uma semana, duas, um mês, dois, três meses. Firme na igreja cantando, pregando. Estava uma benção. Até que um dia a encontrei. Fiquei um tempo sem procurá-la, pois pensava: que sabe se eu ficar um pouco longe ela sinta saudades e mude de idéia. Mas, infelizmente, não foi bem assim.
O dia que a encontrei, percebi que ela estava diferente. Mais gorda, pele rosada. Isso gerou em mim um grande sentimento de perda. A minha vez de sofrer, pois até então era ela quem sofria.
Disse a ela: - Você está grávida?
Ela disse: - Não!
Eu disse: - Você está grávida sim, e este filho não é meu. Você conseguiu. Não queria acreditar, mas agora sei, entre nós está tudo acabado.
Porém, antes dela ter o filho, ainda tentei voltar, estava trabalhando, já tinha comprado alguns móveis e morava só em um barraco de um de meus primos. Vendi tudo. Saí do emprego, fomos para o Piauí, mas infelizmente não era mais a mesma coisa. No dia de dar a luz, não suportei, enchi a cara e voltei para Brasília.
Fui direto para o boteco, essa se tornou a pior fase da minha vida. Transformei-me em um mendigo. Dormia nas calçadas, nas paradas de ônibus, nos matos, em prédios construção. Joguei-me na sarjeta. Não queria aceitar aquela triste realidade. Minha vida, a partir daquele momento, transformou-se um verdadeiro caos. Embora, muitas pessoas quisessem me ajudar, infelizmente não conseguiam. A dor era muito forte, não conseguia voltar atrás, assim pensava. Cerca de dois anos se passaram.
Com muitos conselhos, insistência dos familiares e amigos, resolvi então, voltar para a igreja. Os dias foram passando, e assim como das outras vezes, as coisas começavam a mudar. Encontrei outra pessoa. Resolvi então construir outra família, pois não havia mais retorno. Igreja, oração, estava super dedicado, porém não conseguia esquecer nem os meus filhos, nem ela. Isso me entristecia.
Um dia, começou tudo de novo. Bebi demais. Fiquei totalmente embriagado e terminei separando. Fiquei ainda uns cinco anos com essa mulher. Não tivemos filhos por ela ser ligada. Mais sofrimento. Cigarro, cachaça, noites em claro, prisão por vadiagem e tudo que não presta. Isso durou por muito tempo.

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