Eu era jovem, tinha 21 anos e vivia uma
vida dessas, que futuro poderia ter? Mesmo assim esse povo me recebeu muito
bem, eles não merecem que eu cause nenhum sofrimento, nem preocupações a eles.
Vou para a igreja com a minha avó, deixarei de beber, serei crente. Que plano
bom! Que idéia genial, minha mãe tinha razão. Todos irão gostar de mim. Pois
tinha saudade dessa frase: gosto muito de você. Mas como eu não fazia por onde,
não tinha mesmo como ouvir essa frase.
Fiz como pensei, fui para a igreja,
aceitei a Jesus, sempre estava nos cultos, três meses depois fui batizado e
comecei a participar das tarefas da igreja: evangelismos, escola dominical e
principalmente da banda. Cantava hinos, Jesus operava maravilhas. Voltaram os
elogios, as jovens ficavam enlouquecidas. “Nossa que felicidade!” Já ouvia de
novo essa frase: “Gosto muito de você!” me sentia maravilhado. Que felicidade,
nisto já se passava mais de cinco meses que não bebia nenhum só gole. Nunca
mais eu bebo, pensava eu.
Pensei, poxa preciso de uma esposa, pois
está difícil estar na igreja sem sanar minhas necessidades. Tive uma idéia,
assim como de todas as outras vezes vou para a igreja, mas desta vez vou orar
pedindo a Deus uma esposa. A primeira jovem que não for casada que entrar, eu
me levantarei e perguntarei a ela se quer casar comigo. E assim o fiz. Estava
ajoelhado, pedindo a Deus uma companheira quando alguém entrou, dei uma
olhadinha, advinha... Uma jovem, já tinha visto ela antes, mas achava que era
casada, pois ela tinha um filho. Mas e o meu voto? Tinha que cumpri-lo.
Levantei-me, fui ter com ela, perguntei-lhe se era casada. Ela respondeu-me que
não. Perguntei então:
– A irmã quer casar comigo?
Nossa que responsabilidade! Sem namoro,
sem ao menos conhecer melhor e etc., mas e o voto? Afinal voto é voto e tem que
ser cumprido. Então a irmã, sem entender nada do que estava acontecendo
simplesmente olhou para mim respondendo:
- Sim!
Yahoo! Fui ao céu e voltei. A minha
idéia deu certo. Pois bem, amanhã segunda, nós vamos ao cartório colocar os
nossos nomes e casaremos no outro dia.
– Está bem! – respondeu ela.
E assim fizemos, à noite avisamos a
igreja e todos ficaram pasmados, sem entender nada. “Como podem? Eles nem
namoraram e vão se casar?” as outras jovens sentiram-se muito ofendidas, pois
muitas delas gostavam de mim. Trinta dias passados, que é o tempo estabelecido
para as averiguações dos nomes e do estado litigioso, veio então à liberação, casamos.
E assim se foram sete meses sem beber nada.
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