domingo, 4 de setembro de 2011

Começando de novo, uma nova oportunidade


Confesso que foi difícil. Mas durante toda aquela semana, não bebi. No sábado, dona Antônia chegou. A primeira coisa que fez foi me parabenizar por não ter bebido durante toda a semana. Poxa, como me senti bem por aquele reconhecimento. No início, como sempre, era tudo muito difícil. Ela trabalhando, eu desempregado, eu não queria aceitar aquela condição. Na outra semana comecei a procurar emprego.
No local onde morávamos de aluguel, a proprietária tinha um filho que trabalhava em construção civil. Entrei em contato com ele, e consegui uns bicos. Quando dona Antônia chegava ao final de semana, tudo estava em perfeita ordem. Fazia as compras com o dinheiro que ganhava na construção civil, era pouco, mas procurava sempre uma maneira de não gastar com bebidas. O engraçado é que não tinha fogão. Certo dia, conversando com um colega de trabalho, contei-lhe que não tínhamos um fogão e que tínhamos que cozinhar na casa do visinho. Ele disse-me:
- João, eu tenho um fogão velho na minha casa, iria jogar fora, mas funcionam as duas bocas, se você quiser pode buscá-lo.
- Ah, eu quero! – respondi.
- Tudo bem, o fogão é seu. – respondeu-me.
O interessante é que de onde eu morava apara a casa dele dava cerca de 90 km, mas não medi esforços. Fui lá, busquei o fogão. Detalhe, eu fui de ônibus. Na volta, os motoristas não queriam levar o fogão, dizendo que ocuparia muito espaço. Mas sempre tem aquele famoso jeitinho brasileiro. Agora, o difícil foi convencer que as baratas ficassem quietinhas. Porque no momento que o ônibus começou a andar, foi barata para todo lado. As mulheres gritando, gritos ensurdecedores. Os homens, por sua vez, na maior gaiatice diziam: “peguem elas”. Vez por outras se ouvia o motorista dizer: “Sai bicha!”
Para chegar ao meu destino, no Paranoá, cidade onde eu morava, eu tinha que pegar outro ônibus. Mais uma luta. Nisto já era noite, consegui. Passei pelo mesmo vexame. Nossa, foi uma loucura. Chegando ao Paranoá, levei o fogão para casa, dei-lhe uma boa lavada, consegui um botijão de gás, desentupi as bocas e tudo ficou perfeito. No final de semana dona Antônia chegou. Nossa como ela ficou feliz. Senti-me tão útil. Poxa vida! Como me senti bem.
A partir de então a nossa relação começou a mudar. Comecei a perceber que ela poderia ser uma grande esposa me ajudando a ser um grande marido. Tudo iria depender de mim. E foi assim que começamos o nosso relacionamento. Agora uma responsabilidade maior, eu tinha uma esposa, por sinal, uma pessoa que fez de tudo para me ajudar. Eu tinha de alguma forma retribuir-lhe esse grande feito, a única forma era não bebendo.
O mais incrível, é que desde quando fui morar com dona Antônia, não tinha bebido mais. Isso já fazia quase um mês. Poxa, desta vez conseguirei. Dona Antônia, por sua vez, continuou trabalhando, e eu na construção civil.

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