Continuei trabalhando, me esforçando, e
ao mesmo tempo sendo visto com bons olhos por todos. Os dias foram passando,
depois de três meses. Dona Antônia me ajudando muito, tanto em minha
recuperação, quanto financeiramente. Comecei a ajudar aos meus filhos,
entregando a pensão. Maria José, não me colocou na justiça para exigir a
pensão, por isso eu entregava em mãos. Entre eu e ela não existia mais nada.
Ela já estava com outra pessoa, e eu respeitava isso. Foi difícil aceitar, mas
já estava me acostumando com a idéia.
Um dia, dona Antônia disse:
- Vou sair do emprego.
Eu respondi:
- Tudo bem dona Antônia, você precisa
descansar um pouco. Vai ficar difícil, mas vamos conseguir manter as nossas
despesas.
Dona Antônia merece um descanso. Quanto
tempo ela trabalhou sozinha, bancando todas as despesas sem reclamar. Agora
chegou a minha vez de segurar as pontas. De muito bom grado o farei. Pois
verdadeiramente, ela é mais que vencedora. Mas infelizmente, dona Antônia quis
justificar o porquê de sua decisão. Ainda que eu não tenha pedido nenhuma
explicação, pois tinha aceitado a sua decisão com muito amor. Mas ela continuou
falando:
- Esse negócio de pensão não dá certo.
Temos as nossas contas a pagar e ninguém nos ajuda. Agora todo mês você tem que
levar pensão para aquelas pestes.
Nossa! Quando dona Antônia falou isso, a
tristeza, a ira, a angústia, uma nuvem negra cobriu todo o meu ser. E eu lhe
disse:
- Olha Tonha, primeiramente agradeço de
coração por tudo o que você tem feito a mim. Segundo, nunca te neguei a
existência de meus filhos e você sabe muito bem que eu os amo, e que não troco
por mulher nenhuma deste mundo. O que aconteceu comigo e com a mãe deles, eles
não tem culpa. Portanto, jamais deixarei de ajudar os meus filhos. Agora, se
você não quer aceitar esse fato, tudo bem, separamos por aqui mesmo.
Ela por sua vez, pediu mil e um perdões
e prometeu-me que nada disso iria acontecer novamente.
Continuei no meu trabalho, esforçando-me
cada vez mais. Mas infelizmente, depois daquela relutância sobre a pensão as
coisas começaram a desandar. Vez por outra encontrava os meus filhos, eles por
sua vez me diziam-me:
- Olha pai, fomos a sua casa, mas o
senhor não estava, a dona Antônia nos xingou e disse que se nós tivéssemos
vergonha na cara nunca mais iríamos lá. Eu respondi que aqui era a casa do meu
pai e eu venho aqui quantas vezes eu quiser.
Isso me entristecia muito, iniciava-se
assim muita discussão em meu novo lar e isso durou um bom tempo. Meus filhos me
falavam, eu perguntava a ela que por sua vez sempre negava tudo e dizia:
- Será que você não percebeu ainda que
os seus filhos não aceitam que você esteja comigo e querem fazer de tudo para
nos separar? João, eu te amo, sei também que você ama os seus filhos. Eu jamais
iria impedi-los de entrarem em nossa casa.
Eu, por minha vez, ficava como em cima
do muro. Queria acreditar nela, mas também queria acreditar em meus filhos. Não
havia necessidade para que eles viessem querer impedir o nosso relacionamento,
até mesmo porque a mãe deles já vivia com outra pessoa, e eles encaravam tudo
tranquilamente. Então, como já havia dito, ficava em cima do muro.
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