Meu nome é João Carlos Novaes Santos, nasci no dia 08 de março de 1964 em Januária, Minas Gerais. Sou filho de Noémia Novaes Santos e Virgílio Bertoldo dos Santos.
Sempre fui um garoto dedicado, curioso e cheio de energia e saúde. Sempre gostei de estudar. A minha infância foi ótima. Tenho saudades, jogos de bola, pipas, bolinhas de gude, peão, pique esconde, enfim, fui uma criança normal, como todas as outras crianças da minha idade. O tempo foi passando. E como acontece, com todo ser humano, eu cresci, de repente deixei de lado a infância e as brincadeiras inocentes, joga bola, peão, bolinha de gude, pipa e outros. Já namorando, participando das festinhas no final de semana, queria de certa forma me tornar popular no meio da turma, foi quando me surgiu uma idéia, aprender a tocar violão.
Sempre fui um garoto dedicado, curioso e cheio de energia e saúde. Sempre gostei de estudar. A minha infância foi ótima. Tenho saudades, jogos de bola, pipas, bolinhas de gude, peão, pique esconde, enfim, fui uma criança normal, como todas as outras crianças da minha idade. O tempo foi passando. E como acontece, com todo ser humano, eu cresci, de repente deixei de lado a infância e as brincadeiras inocentes, joga bola, peão, bolinha de gude, pipa e outros. Já namorando, participando das festinhas no final de semana, queria de certa forma me tornar popular no meio da turma, foi quando me surgiu uma idéia, aprender a tocar violão.
O início da minha grande derrota. No início estava tudo bem. Muita alegria, muitos elogios do tipo –“Poxa, como ele canta e toca muito bem!” – Impressionava as gatinhas, me sentia o máximo, o centro das atenções. “Que legal!” Pensava eu. Entretanto, não conseguia mais estudar como antes, pois minha agenda era cheia: aniversários, passeios, serenatas, etc. E todo esse ‘sucesso’ veio acompanhado da cerveja, do vinho, do cigarro, e por ultimo, a cachaça. Engraçado é que eu não gostava de beber, nem mesmo do cheiro, não sei se é pelo fato de já ter trabalhado em um bar e durante todo dia sentir o cheiro do álcool, sem falar no hálito forte dos bêbados ao falarem muito próximos de mim. Então, por isso, eu preferia a bebida mais fraca. Mas infelizmente isso foi por pouco tempo. Eu tinha que me sentir alegre, e já estava se tornando difícil. Pois tudo estava ficando muito monótono, não tinha mais graça ser o centro das atenções, não tinha mais graça os elogios.
Eu não ligava nem mesmo para as gatinhas que me aplaudiam, tudo estava triste demais e eu tinha que fazer alguma coisa a respeito, pois já estavam desconfiando do meu desânimo. Surgiu então, de novo, a grande idéia – “Vou tomar alguns goles de pinga, quem sabe assim, me alegrarei um pouco mais. A pinga é uma bebida mais forte e eu vou me sentir bem.” Pensava eu. Como tudo tem um início, e sempre no início é um mar de rosas, desta vez não foi diferente – “Poxa, que alegria, que satisfação! Cantava como um passarinho!” Aprendi novas músicas ao ponto de muitos dizerem “Poxa, ele canta melhor que o próprio cantor!” Eu me sentia maravilhado. O tempo foi passando, e já bebendo cada vez mais, ficava embriagado, e por muitas das vezes tinham que me levar pra casa. Perdi vários violões, pois nem sabia em que boteco havia deixado. A turma já não me chamava para as festinhas de aniversário, serenatas, festinhas de final de semana, passeios. Não existiam mais os elogios, as gatinhas sumiram, me senti só, isolado e sem apoio.
A minha família estava muito triste comigo. Tentaram por muitas vezes me ajudar, mas foi em vão. Não queria viver daquela forma, bebendo demais, eu ficava vários dias nas ruas sem dar notícias, deixando todos preocupados, sem saber se estava vivo ou morto. Lembro-me de uma vez que bebi tanto e estava andando pela rua, peguei um ônibus para outra cidade que era muito distante de onde eu morava, sem dinheiro, sujo, totalmente embriagado. Viajei a noite toda e uma boa parte do dia. Neste intervalo dormi e quando acordei não sabia onde estava, nem para onde ia e tão pouco porque estava naquele ônibus. E como iria pagar a passagem? O desespero tomou conta de mim. O cobrador, percebendo que estava acordado veio ao meu encontro, o coração batia cada vez mais forte “me lasquei!”- pensei “como pagarei a passagem?”. “E agora? O que vou fazer?” Mas bêbado tem muita sorte, ao se aproximar de mim não me perguntou nada, simplesmente puxou o canhoto da passagem correspondente dentro da poltrona em que eu estava sentado e me entregou, eu a recebi. A pessoa que estava do meu lado disse:
"- Ele acha que você é o passageiro desta poltrona que desistiu da viagem antes do carro sair. Fique de boa! Porque por mim tá tudo bem. "
Que alívio! Nisto a minha mãe, pai e irmãos estavam me procurando em hospitais, delegacias e botecos, todos estavam preocupados comigo. E eu? A mais de 160 km de casa. – eu morava em Januária e estava em Montes Claros - Não sei como, mas depois de sete dias consegui voltar para casa. E continuei bebendo, e bebendo cada vez mais. Muito sofrimento, já dormia nas ruas, eu era preso por arruaças, meus amigos? Nem olhavam mais pra mim. A vergonha tomou conta de toda a minha família. Tenho uma avó, mãe de meu pai, que mora em Brasília. Minha mãe teve uma grande idéia “vou mandar o João para Brasília, para a casa da avó, pois ela é crente, quem sabe ele vai para a igreja e para de beber.” E assim fizeram, vim para Brasília, fui muito bem recebido pelos meus primos e primas, tio e tia. “Vou me sentir muito bem, e valorizado, pensei. Farei exatamente o que a minha mãe me pediu.”
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